segunda-feira, 22 de abril de 2013

Senhor Ogum



 
Senhor Ogum
 
 
 




Pois bem meus irmãos e minhas irmãs de fé, neste mês de Abril extamente no dia 23, o homenageado o orixá Ogum na umbanda e no candomblé é sincretizado na igreja católica como São Jorge.
Ogum é um orixá costumeiramente associado à guerra e ao fogo. Sendo geralmente representado sob a figura de um guerreiro, Ogum estabelece um arquétipo de luta e conquista aos que se dedicam à sua adoração. Seu grau de importância é tamanho, pois ele é o orixá que possui maior proximidade com os seres humanos depois de Exu. Conhecedor de segredos, ele sabe muito bem como fabricar os instrumentos necessários para a batalha e para o trabalho com a terra.
Por conta dessas habilidades, observamos que as várias representações dessa divindade costumam colocá-lo empunhando uma espada, uma enxada ou uma pá. De acordo com a mitologia africana, Ogum era filho do rei Odudua, fundador da cidade de Ifé. Apesar de viver os privilégios de um príncipe, Ogum era uma figura bastante inquieta e gostava muito de representar seu pai nas lutas pela conquista de novos territórios. Logo assim, ele se tornou uma divindade que inspira a constante tomada de atitudes.
Nas várias descrições que tentam falar sobre Ogum, percebemos que o mesmo aglomera um claro universo de comportamentos impulsivos e, ao mesmo tempo, pragmáticos. Ao mesmo tempo em que luta com bravura e se entrega ao amor intensamente, Ogum também é bastante reconhecido pelo seu gosto pela presença dos amigos e a alegria de viver. Apesar de ser tão temperamental como seu irmão, o orixá Exu, este não possui a mesma sagacidade e malícia.
Em terras brasileiras, Ogum acabou sendo facilmente associado à história dos vários santos guerreiros que integram o cristianismo. Nessa situação sincrética, acabou sendo relacionado à imagem de São Jorge, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Essa aproximação pode ser historicamente reconhecida na Guerra do Paraguai, quando vários negros participantes do conflito professaram que a vitória na Batalha de Humaitá teria sido fruto da proteção do santo que simbolizava o orixá.

Característica dos filhos (as) de Ogum
Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. São conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, consequentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande. Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções. São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. São pessoas determinadas e com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer missão, mas são francos e, às vezes, rudes ao impor sua vontade e ideias. Arrependem-se quando vêem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas ideias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas. As pessoas de Ogum são práticas e inquietas, nunca “falam por trás” de alguém, não gostam de traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos. Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Quando os filhos de Ogum conseguem equilibrar seu gênio impulsivo com sua garra, a vida lhe fica bem mais fácil. Se ele conseguisse esperar ao menos 24 hs. para decidir, evitaria muitos revezes, muito embora, por mais incrível que pareça, são calculistas e estrategistas. Contar até 10 antes de deixar explodir sua zanga, também lhe evitaria muitos remorsos. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um vencedor. A sua impaciência é marcante. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar. Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza e a falta de garra. Têm um forte conceito de honra, sendo incapazes de perdoar as ofensas sérias de que são vítimas. São desgarrados materialmente de qualquer coisa, pessoas curiosas e resistentes, tendo grande capacidade de se concentrar num objetivo a ser conquistado, persistentes, extraordinária coragem, franqueza absoluta chegando à arrogância. Quando não estão presos a acessos de raiva, são grandes amigos e companheiros para todas as horas. É pessoa de tipo esguio e procura sempre manter-se bem fisicamente. Adora o esporte e está sempre agitado e em movimento, tendem a ser musculosos e atléticos, principalmente na juventude, tendo grande energia nervosa que necessita ser descarregadas em qualquer atividade que não implique em desgastes físicos.
Classificação de Ogum

Ogum Já, Ogum Vari, Ogum Omenê, Ogum Xoroque, Ogum Megê, Ogum Cariri, Ogum Tambocê, Ogum Jambam Buru, Ogum Icoce, Ogum Cacumbe, Ogum Rose Mucumbe, Ogum Xubará, Ogum Yara, Ogum Rompe Mato, Ogum Beira Mar, Ogum de Lei, Ogum Dilê, Ogum Matinada e outros.

Erva
Espada de São Jorge, (folha) Eucalipto, (folha) Roma, (Folha) Sabugueiro, (Folha) Jurupitã, (folha) Jurubeba, (folha) Ipê, losna, Aroeira, Carqueja, Jambo Amarelo, Pata de vaca,
Banho
Espada de São Jorge, Roma, Sabugueiro.
Pontos
Lua bonita

Lua bonita que clareia o mundo inteiro;
é São Jorge no espaço iluminai este terreiro;
lá vem chegando os guerreiros de São Jorge;
todos de lança na mão;
pra protegendo estes irmãos;
estes guerreiros eles quebram macumbeiros;
eles quebram feiticeiro debaixo do alazão.

Pedimos licença a zambi

Pedimos licença a zambi
A Oxum e Iemanjá
Para abrir nossos trabalhos
Com a bandeira de Oxalá
Saravá Ogum
Saravá Congá
Saravá seu Sete Ondas
Ele é rei é orixá
Saravá as almas
Saravá congá
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver
Ogum Sete Ondas
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver
Ogum Beira Mar
Pisa na linha de Umbanda
Que eu quero ver
Ogum Iara
Ogum Megê
Seu cangira de Umbanda auê
Ora pisa no reino ô cangira
Ora pisa no reino ô cangira
Tata de Umbanda ô cangira

Eu não seria nada

Eu não seria nada
Se não fosse Ogum
Para abrir a minha estrada
Valente guerreiro
Aqui chegou
Vencedor de demanda
Meu protetor
Em sua trajetória
Meu pai luta contra o mau
Foi nos campos de batalha
Que se tornou general
Eu não seria nada
Se não fosse Ogum
Para abrir a minha estrada
Salve seu Ogum de Ronda
Salve seu Ogum Megê
Saravá Beira Mar
Ogum Iara, Ogum de Lê
Salve toda a falange
Do glorioso guerreiro
Que corta toda a demanda
Aqui dentro do terreiro
Eu não seria nada
Se não fosse Ogum
Para abrir a minha estrada

Salve Ogum Beira-mar

Ogum Beira-mar, quem te trouxe do mar?
Ogum Beira-mar, quem te trouxe do mar?
Quando ele vem beirando a areia vem trazendo no braço direito o rosário de mamãe sereia...

Ogum Sete Ondas
Ogum de Lei
Não me deixe sofrer tanto assim meu pai
Quando eu morrer
Vou passar na Aruanda
Saravá Ogum
Saravá seu Sete Ondas

Ogum Beira Rio
Beira Rio, Beira Rio, Beira Mar>
O que se ganha de Ogum>
Só Ogum pode tirar> bis
Seu Ogum de Ronda
Ele vem girar
Vem trazendo folhas
Pra descarregar.

Ogum Matinata
Que Ogum é aquele
Que vem cavalgando
No céu azul
É Ogum Matinata
Ele é o defensor
Do Cruzeiro do Sul
Com a espada na cinta
Escudo no braço
Ele vem cavalgando
É Ogum Matinata
Ele é o defensor
Do Cruzeiro do Sul.

domingo, 24 de março de 2013

PONTO OXALÁ

Abre a porta oh, gente
Que aí vem, Jesus
Ele vem cansado,
Com o peso da Cruz,

Vem de porta em porta,
Vem de rua em rua,
Pra salvar as almas
Sem culpa nenhuma.
***************************

Oxalá, meu Pai,
Tem pena de nós tem dó
A volta do mundo é grande,

seu poder são maior;
****************************

Pombinho branco
Mensageiro de Oxalá
Leva esta mensagem
De todo coração até Jesus
Diga que somos
Soldados de aruanda
Trabalhando na Umbanda
Carregando a nossa cruz
******************************

Os seus caminhos serão de rosas
Serão de rosas para pisar
São rosas brancas
Rosas vermelhas
Caminho santo de pai Oxalá
********************************

Vou caminhando na estrada dessa vida
E me protegem sete luzes de Orixás
Filho de umbanda minha fé é o que me guia
Nos caminhos de Aruanda sobre paz de Oxalá

Oxalá é paz, Oxalá é o rei
Divino pai, divina força que me encanta / Os caminhos de Aruanda sua luz é minha lei
Divino pai, divina força que me encanta / Os caminhos de Aruanda sua luz é minha lei
**********************************************************************
PADRINHO E MADRINHA
 
Caros irmãos e irmãs umbandistas vêm definir qual a função do PADRINHO e MADRINHA encarnada, espiritual e afilhado (as) na Umbanda.

Ser padrinho ou madrinha encarnada é assumir perante o Pai Olorum, Pai Oxalá, aos Guias o compromisso de conduzir e orientar e interceder pelos seus afilhados (as), juntamente com o sacerdote, na Umbanda.

O Padrinho ou Madrinha Espiritual Assumem o amparo divino dos seus afilhados (as), juntamente com o Orixá de frete e o Orixá juntó.

 O (A) afilhado (a) ao escolher o seu padrinho e a sua madrinha precisa que eles tenham o mínimo de conhecimento sobre a religião, após a escolha do seu padrinho e madrinha você afilhado (a) tem o compromisso de respeita-los, seguir as orientações dado por eles e sempre pedir a BENÇÃO.

Porque quando você pede a Benção ao sacerdote ou padrinho e madrinha eles estão Abençoando você em nome do Pai Olorum e Pai Oxalá.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

HOMENAGEM AO PAI OXÓSSI

            Pois bem como em Janeiro homenageamos ao nosso "Pai Oxóssi".

Oxóssi, na Umbanda é patrono da linha dos caboclos, uma das mais ativas da religião. É um Orixá caçador por excelência, mas sua busca visa o conhecimento. Logo, é o médico, cientista e doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados tanto nos aspectos da fé quanto do saber religioso.

Na história da humanidade, Oxóssi cumpre um papel civilizador importante, pois na condição de caçador representa as formas mais arcaicas de sobrevivência humana, a própria busca incessante de homem por mecanismos que lhe possibilitem se sobressair no espaço da natureza e impor a sua marca no mundo desconhecimento.

A coleta e a caça são formas primitivas de busca de alimento, são os domínios de Oxóssi, orixá que representa aquilo que há de mais antigo na existência humana: a luta pela sobrevivência. Oxóssi é o orixá da fartura e da alimentação, aquele que aprende a dominar os perigos da mata e vai em busca da caça para alimentar a tribo. Mas do que isso, Oxóssi representa o domínio da cultura (entendendo a flecha como utensílio cultural, visto que adquire significados sociais, mágicos, religiosos) sobre a natureza.

Astúcia, inteligência e cautela são atributos de Oxóssi, pois como revela a sua historia, esse caçador possui uma única flecha, por tanto, não pode errar a presa, e jamais erra. Oxóssi é o melhor que faz, está permanentemente em busca da perfeição.


Características dos filhos de Oxóssi

 
Os filhos de Oxóssi são pessoas de aparência calma, que podem manter a mesma expressão quando alegres ou aborrecidas, do tipo que não exterioriza as suas emoções, mas não são, de forma alguma, pessoas insensíveis, só preferem guardar os sentimentos para si.

São pessoas que podem parecer arrogantes e prepotentes, e às vezes são. Na realidade, os filhos de Oxóssi são desconfiados, cautelosos, inteligentes e atentos, selecionam muito bem as amizades, pois possuem grande dificuldade em confiar nas pessoas. Apesar de não confiarem, são pessoas altamente confiáveis, das quais não se teme deslealdade; são incapazes de trair até um inimigo. Magoam-se com pequenas coisas e quando terminam uma amizade é para sempre.

São do tipo que ouve conselhos com atenção, respeita a opinião de todos, mas sempre faz o que quer. Com estratégia, acabam por fazer prevalecer a sua opinião e agradando a todos.

Altos e magros, os filhos de Oxóssi possuem facilidade para se mover, mesmo entre obstáculos. O seu andar possui leveza e elegância. A sua presença é sempre notada, mesmo que não façam nada para isso acontecer.

Os filhos de Oxóssi gostam de solidão, isolam-se, ficam à espreita, observam atentamente tudo que se passa à sua volta. Curiosos, percebem as coisas com rapidez, são introvertidos e discretos, vaidosos, distraídos e prestativos, comportamento típico de um caçador, provedor do seu povo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Leitura de búzio para os orixás de frente e junto.


 
      Os búzios, são conchas do mar, é o modo pelo qual os homens e orixás podem se comunicar. Vindos do imenso e misterioso mar, das águas que percorrem todo o mundo, na forma de rios, chuvas, orvalho, nuvens os búzios trazem consigo os segredos das águas, do céu e da terra e a energia de tudo que existe na natureza, o axé dos Orixás. É preciso ter grande conhecimento e experiência na religião para se jogar búzios, além de muito conhecimento das quizilas das entidades e dos orixás. Jogar os búzios implica conhecer também, todos os rituais, ebós e o que necessário para solucionar os problemas apontados no jogo. O jogo é feito jogando os 16 búzios sobre a peneira onsagrada, que ao cair sobre esta, abre à visão dos Babalaô ligando-o diretamente ao axé. É o equilíbrio, e seu axé respondendo e principalmente o seu conhecimento, que permitem interpretar as mensagens trazidas pelo poderoso oráculo, diretamente dos Orixás. Pois o Baba ou Babalaô devem ter cumprido as devidas obrigações. Os búzios são sacralizados, energizados, através de uma cerimônia específica. Apenas os búzios que passam por esta cerimônia, são aceitos como interlocutores dos orixás e Orunmilá “ Ifá.”.
      O jogo de búzios tem por finalidade identificar nosso Orixá (Ori=Cabeça (física e astral) + Ixá=guardião); ou seja , problemas de plano astral, espiritual, material e suas soluções". O jogo de búzios é uma leitura divinatória e esotérica por excelência, utilizado como consulta, quer seja; para identificar nosso orixá (ori= cabeça + ixá=guardião), que é a mesma figura do anjo de guarda; a situação material, astral e espiritual, principalmente com relação a problemas e dificuldades.

 

Preceito para fazer a leitura dos búzios.

 

1º) Estar de preceito de 3 dias. “Não poderá comer: Carne, Bebida alcoólica, relação sexual, manter-se o mais puro possível”.
2º) Dormir durante os 3 dias na esteira, com roupa branca e “não usar roupa intima por baixa da branca”.
3º) Se recolher na esteira por volta das 23:00h
4º) Evitar passa próximo de bares, hospitais, cemitérios e baladas.
5º) Tomar o banho de ervas no dia da leitura do búzio. “Rosa branca, Anis estrelado e Salvia.
6º) Levar para o centro no dia da leitura dos búzios. 1 alguidar tamanho 3 zeros, 1 vela de 12 horas branca .
7º) Ir de branco para o terreiro.
Bom preceito.
Oferenda na Umbanda

            Dentro da nossa religião, a oferenda faz parte do processo ritualístico e litúrgico. É uma das formas que temos para demonstrar nossa fé, gratidão, amor, é também o meio de nos aproximarmos com os nossos orixás e guias, de sermos ouvidos de forma mais íntima e intensa. A oferenda também esta vinculada no conceito de restituição, equilíbrio e movimentação das forças necessárias à vitalidade humana e sua comunhão com a natureza.
            As oferendas podem ser simples ou complexas, em elementos, montagem e entrega. O importante é que sejam feitas com fé, respeito e amor.

Os elementos e componentes das oferendas, de um modo geral são:
Flores, velas, frutas, vegetais, grãos, legumes, água, bebidas diversas, doces, incensos, especiarias, objetos específicos de cada entidade, fumos, etc.

Os locais para a entregas das oferendas:
Montanhas, campo aberto ou colinas, para Oxalá;
Matas para Oxóssi;
Caminhos (estradas de chão) para Ogum;
Pedreiras (montanhas ou pedras de cachoeira) para Xangô;
Lagos com águas paradas para Nanã Buruque;
Rios e cachoeiras para Oxum;
Praça, jardim para Cosme, Damião e Doum;
Campo santo (cemitério geralmente no cruzeiro) para Obaluaê;
Canaviais, campos abertos e bambuzais para Iansã;
Praia para Iemanjá;
Encruzilhadas, ruas e cemitérios para Exu;
Encruzilhadas em formato de T para a Pomba Gira. 

Orixá: Oxalá
Oferenda: Canjica branca ou arroz com mel ou leite.
Bebida: Água mineral.
Santo: Jesus Cristo.
Data comemorativa: 25 de Dezembro

Orixá: Oxóssi
Oferenda: Fruta em geral, coco, flores ou marisco no dendê.
Bebida: Cerveja amarela, garapa ou calmin.
Santo: São Sebastião.
Data comemorativa: 20 de Janeiro.
 
Orixá: Ogum
Oferenda: feijão preto, inhame ou cara com azeite de dendê.
Bebida: Cerveja amarela.
Santo: São Jorge.
Data comemorativa: 23 de Abril.

Guia: Yorimá ou Preto(a) Velho(a)
Oferenda: Bolo de fubá, feijão preto e tutu.
Bebida: café, vinho ou cachaça.
Data comemorativa: 13 de Maio.

Orixá: Xangô
Oferenda: Quiabo, pirão de quiabo, camarão e camarão de dendê.
Bebida: Cerveja preta.
Santo: São Judas Tadeu, São João Batista e São Jerônimo.
Data comemorativa: 24 de Junho ou 30 de Setembro.
 
Orixá: Nanã Buruque
Oferenda: Mingau de canjica branca e feijão preto com mandioca.
Curiosidade: Uma das deusas mais antigas.
Santo: Nossa Senhora de Sant’Ana.
Data comemorativa: 26 de Julho
 
Orixá: Oxum
Oferenda: Fruta melão, flores, feijão, camarão, cebola e ovos cozidos.
Bebida: Champanha branco.
Aprecia: Perfumes e rosas.
Santo: Nossa Senhora da Conceição ou Nossa Senhora da Aparecida.
Data comemorativa: 15 de Agosto ou 12 de Outubro.
 
Orixá: Cosme, Damião e Doum
Oferenda: Doce em geral, frutas e pão.
Bebida: Suco, água e refrigerante.
Santo: Cosme e Damião.
Data comemorativa: 27 de Setembro
 
Orixá: Obaluaê
Oferenda: Pipoca com mel, coco e água mineral.
Bebida: Vinho licoroso.
Santo: São Lázaro.
Data comemorativa: 15 de Agosto.

Orixá: Omolu
Oferenda: Pipoca com coco
Bebida: Vinho tinto seco ou vinhos moscatel
Data comemoratica: 02 de Novembro
 
Orixá: Iansã
Oferenda: Acarajé, Melão amarelo.
Bebida: Champanha branco.
Santo: Santa Bárbara.
Data comemorativa: 04 de Dezembro.
 
Orixá: Iemanjá
Oferenda: Peixes e frutos do mar com arroz e canjica branca.
Bebida: Champanha branco.
Aprecia: Perfumes e rosas.
Santo: Nossa Senhora dos Navegantes.
Data comemorativa: 08 de Dezembro.
 
Guia: Exu
Oferenda: Carnes mal passadas, farofa, cebola e ovo cozido.
Bebida: Cachaça, whisky e conhaque.
Aprecia: Charuto.
Data comemorativa: 30 de Agosto.

Guia: Pomba-Gira
Oferenda: Carne crua, coração de frango, farofa, cebola, cereja e ovo cozido.
Bebida: Champanha vermelha, cachaça, vinho, licor e martini.
Aprecia: Cigarrilha, cigarro e charuto.
Data comemorativa: 30 de Outubro.
 

Materiais para entrega no dia do trabalho na Mata.

Oferenda para caboclo(a), “Médium em desenvolvimento”.


7 Frutas nacionais;
6 velas verdes;
1 vela branca;
1 cerveja amarela;
1 prato descartável, “ Para colocar as frutas”;
1 copo descartável ;



Oferenda para Exu e Pomba Gira, “Médium em desenvolvimento”.
500g de Farinha de mandioca;
1 Garrafa de pinga;
1 Garrafa de Champanha vermelha;
1 Alguidar tamanho 1º, “sem ser envernizado”;
1 Flor rosa vermelha, “sem espinho”;
1 charuto;
3 cigarro;
7 Velas pretas;
7 Velas vermelhas/preta, “vela bicolor”;
1,0 metro de fita preta, “a largura da fita é fina”;
0,50 centímetros de fita vermelha, “a largura da fita é fina”;

 

domingo, 4 de novembro de 2012

Batismo

O BATISMO

É realizado para revestir o espírito e o mental do Ser com uma aura protetora semelhante a proteção divina que o espírito recebe ao reencarnar. É a “entrada” do espírito na dimensão religiosa da Umbanda, é quando o médium se torna Filho de Olorum e seguidor de Pai Oxalá, passando a fazer parte de seu “exército branco”.
Ele é o primeiro e o mais importante Sacramento, pois é a porta de entrada para o recebimento das bênçãos divinas e dos demais sacramentos. Pelo batismo, a pessoa é incorporada à Umbanda, passando a ter os direitos e deveres próprios da religião. É um cerimonial litúrgico poético, santificado e participativo da vida divina onde preces, toques, cantos e atos litúrgicos específicos compõem a linguagem expressiva e encantadora de nossa religião.

Material do batismo
1 – Pemba Branca;
1 – Alguida nº1
1 – Vela de Batismo ou Vela de 12 hora;
1 – Fita branca de largura media e comprimento de 0,50 cm;
1 – Pano de pescoço;
1 – Espada de São Jorge;
3 – Folha de samambaia;
1 – Vela de 7 dia branca;

Banho e Defumação
Rosa Branca;
Salvia;
Anis Estrelado;
Preceito

* Deverá estar deitado na esteira no máximo as 22:00h, de roupa branca, banho tomado e defumado, não usar por baixa da roupa branca trajes íntimos e nem usar a roupa branca  apertado.  
* Dormi na esteira durante 3 dias que anteceder o batismo e acender a vela de 7 dias.

* Fazer os banhos e a defumação durante o preceito.
* Não comer carne, não beber bebidas que contenha álcool, não ter relação sexual.

* Evita local com muita aglomeração de pessoas, cemitério, bares etc.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

POMBA GIRA NA UMBANDA


Pomba Gira na Umbanda
 
Quando nós falamos sobre as Pombagira entidade confundida com o diabo, a Pombagira ou Bombogira é um Exú feminino muito cultuado nas religiões afro-brasileiras e desempenha várias funções

Na Umbanda, temos uma Linha de Entidades de Trabalho que se identificam como Pomba Gira (ou Pombagira) e que atuam na chamada Esquerda. São espíritos humanos que tiveram várias encarnações e que, com o tempo, obtiveram a permissão da Lei Maior para se assentarem à Esquerda dos Orixás e trabalharem em favor da nossa evolução.
Na Umbanda, o nome Pomba Gira pode ser traduzido como: “A mensageira dos caminhos à esquerda”. A palavra “Pomba” é um pássaro e “Gira” é um movimento. Como essa entidade atuam na esquerda vem significado de mensageiras dos caminhos à esquerda.
Assim como Exu é um guardião e protetor na Esquerda, Pombagira também é uma guardiã protetora atuante na Esquerda da Umbanda. Ela se apresentou como par natural de Exu e por esse motivo, no início das suas manifestações, se pensava que Pombagira fosse “mulher de Exu” e até “mãe de Exu Mirim”. Com o passar do tempo, a Espiritualidade foi esclarecendo melhor aquele tipo de manifestação, aumentando a nossa compreensão a respeito dessas Entidades.
Saudação a Senhora Pomba Gira:
LAROYÊ, POMBAGIRA! POMBAGIRA MOJUBÁ!
Significado:
SENHARA POMBAGIRA EU ME CURVO DIANTE DO SER PODER!

Nomes simbólicos: Pombagira das Sete Encruzilhadas; Pombagira das Sete Praias; Pombagira das Sete Coroas; Pombagira das Sete Saias; Pombagira dos Sete Caminhos; Pombagira das Matas; Rosa Negra; Dama da Noite; Maria Molambo; Maria Padilha; Pombagira das Almas; Pombagira dos Sete Véus; Pombagira Cigana; Rosa Caveira; Sandália de Prata; Pombagira Rainha; Maria Quitéria; etc.
Dia da semana: Segunda ferira.
Ponto de Força: Nas encruzilhadas em forma de " T" e os caminhos. No particular, o ponto de força do Orixá que as rege mais diretamente.
Cor: Preferencial: Vermelho. Algumas usam o bicolor vermelho/preto.
Elementos de trabalho: Punhal; pembas vermelhas; ervas; alguidar envernizado com pedras (Coralina, Ametista, Pirita, Mica Rosa, Granada, Ágata de Fogo, Vassoura da Bruxa etc.); búzios; moedas de cobre e/ou douradas; fitas e linhas vermelhas; sementes de olho de boi e olho de cabra; incensos; velas vermelhas.
Fumo/defumação: Cigarrilha; fumos de ervas específicas enroladas na palha ou queimadas diretamente.
Incenso: Rosa vermelha, dama da noite, canela, jasmim.
Bebidas: Suco de morango, de cereja, de acerola, ou de maçã.
Frutas: Morango, cereja, maçã, romã, acerola, pêssego, laranja, limão; frutas ácidas e vermelhas em geral.
Flores: Rosas vermelhas.

 
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Exu Anjo ou Demônio?

Srs. EXUS

Exu é um dos grandes pontos de conflito na UMBANDA com relação a outras religiões, por falta de entendimento, pela ignorância e pelo preconceito.

Muitos acreditam que nossos amigos Exus são Demônios, maus, ruins, perversos, que bebem sangue e se ri com as desgraças dos outros, e a quem podem provocar.
É necessário entender que no sincretismo afro-católico ( imposto num processo de aculturação dos Negros pelos padres Católicos ) os Orixás foram associados aos Santos Católicos, inclusive Exu, que é representado por Santo Antônio (Santo Antônio de Pemba, Santo Antônio de Ouro Fino, etc.). Mas Porquê este Orixá, irmão de Ogum, animado, gozador, alegre, extrovertido, sincero e sobretudo amigo, foi comparado com o Diabo das profundezas macabras dos infernos? Bem, para conhecer está história vamos viajar para 6.000 anos atrás, local, Mesopotâmia.

A Demonologia Mesopotâmia influenciou diversos povos: Hebreus, Gregos, Romanos, Cristãos e outros. Sobrevive até hoje nos rituais Satânicos que muitos já devem ter escutado e visto notícias na televisão e lido nos jornais nacionais e internacionais, principalmente na Europa e EUA.

Na Mesopotâmia os males da vida que não constituíssem catástrofes naturais eram atribuídas aos Demônios ( No mundo atual as pessoas continuam a fazer isso). Os Sacerdotes, para combater as forças do mal, tinham que conhecer o nome dos Demônios e perfaziam enormes listas, quase intermináveis. O Demônio mau era conhecido genericamente como UTUKKU. O grupo de 7 (sete) Demônios maus é com freqüência encontrado em encantamentos antigos. Se dividiam em Machos e Fêmeas. Tinham a forma de meio Humano e meio Animal: Cabeça e tronco de Homem ou Mulher, cintura e pernas de cabra e garras nas mãos. Com sede de sangue, de preferência Humano, mas aceitavam de outros animais. Os Demônios freqüentavam os túmulos, caminhos (encruzas), lugares ermos, desertos, especialmente a noite.

Nem todos eram maus, haviam os Demônios Bons que eram invocados para combater os Maus. Demônios benignos são representados como gênios guardiões, em número de 7 (sete), que guardam as porteiras, portas dos templos, cemitérios, encruzas, casas e palácios.

Bom, os Negros africanos em suas danças nas senzalas, nas quais os brancos achavam que eram a forma deles saudarem os Santos, incorporavam alguns Exus, com seu as suas gargalhadas e jeito maroto e extrovertido assustavam os brancos que se afastavam ou agrediam os Negros escravos dizendo que eles estavam possuídos por Demônios.

Com o passar do tempo, os brancos tomaram conhecimento dos sacrifícios que os Negros ofereciam a Exu, o que reafirmou sua hipótese de que essa forma de incorporação era devido aos Demônios.

Assim, como Exu não é bobo, assumiu, sem dizer que sim ou que não, esse estereótipo colocado pelo branco.

As cores de Exu, também reafirmaram os medos e a fascinação que rondavam as pessoas mais sensíveis.

Assim, o que aconteceu foi uma associação indevida, maldosa, entre aos Demônios Judaico-Cristãos e os Exus Africanos, simplesmente por similaridades em relação a cores, moradas, manifestação de personalidade, etc. Isso com o tempo foi caindo no gosto popular, no espírito de pessoas mentalmente e espiritualmente perturbados e inicia a construir "a visão real", de que Exu é o Demônio.

Muitos médiuns despreparados, ou perturbados mental e espiritualmente, recebiam Exus que diziam-se Demônios. Nessa onda de horror ou de terror, alguns autores Umbandistas do passado, por falta de conhecimento ou por ignorância, fizeram tabelas de "nomes cabalísticos dos diabos", associando esses nomes aos Exus de Umbanda, como: Exu Marabô ou diabo Put Satanaika, Exu Mangueira ou diabo Agalieraps, Exu-Mor ou diabo Belzebu, Exu Rei das Sete Encruzilhadas ou diabo Astaroth, Exu Tranca Ruas ou diabo Tarchimache, Exu Veludo ou diabo Sagathana, Exu Tiriri ou diabo Fleuruty, Exu dos Rios ou diabo Nesbiros e Exu Calunga ou diabo Syrach. Sob as ordens destes e comandando outros mais estão: Exu Ventania ou diabo Baechard, Exu Quebra Galho ou diabo Frismost, Exu das Sete Cruzes ou diabo Merifild, Exu Tronqueira ou diabo Clistheret, Exu das Sete Poeiras ou diabo Silcharde, Exu Gira Mundo ou diabo Segal, Exu das Matas ou diabo Hicpacth, Exu das Pedras ou diabo Humots, Exu dos Cemitérios ou diabo Frucissière, Exu Morcego ou diabo Guland, Exu das Sete Portas ou diabo Sugat, Exu da Pedra Negra ou diabo Claunech, Exu da Capa Preta ou diabo Musigin, Exu Marabá ou diabo Huictogaras, e o nosso Exu-Mulher, Exu Pombagira, simplesmente Pombagira ou diabo Klepoth. Mas há também os Exus que trabalham sob as ordens do orixá Omulu, o senhor dos cemitérios, e seus ajudantes Exu Caveira ou diabo Sergulath e Exu da Meia-Noite ou diabo Hael, cujos nomes mais conhecidos são Exu Tata Caveira (Proculo), Exu Brasa (Haristum) Exu Mirim (Serguth), Exu Pemba (Brulefer) e Exu Pagão ou diabo Bucons.

Comerciantes inescrupulosos ou, simplesmente, ignorantes, criaram imagens de Exus como diabos, cada vez mais estranhos e aterradores (cifres, rabos, partes de animais ...). construindo no imaginário de muitos médiuns e da população Brasileira, um esteriótipo de Exu = Diabo, Exu = Satanás, Exu = Coisa Ruim.

Hoje em dia as casas de Umbanda (centros, terreiros, tendas e templos ...), pelos estudos, pelo conhecimento e pela orientação dos reais Exus, estão abolindo essas imagens e condenando seu uso. Assim como, recriminando médiuns e supostas entidades que se manifestam dessa maneira dentro dos Terreiros. Porém, o mal foi feito, o esteriótipo atingiu a mentes mais fracas e, muitas vezes, vemos em certos canais de televisão que fazem programas religiosos, a invocação dessas aberrações e a indevida associação aos Exus de Umbanda. O que podemos dizer é que quem invoca a Deus, Deus o tem; quem invoca do Diabo, o diabo o tem.

Algumas correntes religiosos estão alimentando na população que participam de seus ritos, a visão de que a culpa para a masela de suas vidas são os Diabos, os Exus, que vêm babando, cam as mãos tortas, grunindo, gritando ( "vou levar, vou levar ... !!!"), todos tortos e formatados dentro de um espírito moldado e caricato.

Essas religiões ou seitas estão alimentando o medo, a ignorância, o preconceito, a discriminação e a ilusão de que a culto pela dor alheia é causada pela Umbanda e pelos seus guias, principalmente os Exus. Então fiquem sabendo que isso é mentira, é ilusão é ignorância.

Exu combate o mal, e devolve o que mandam de ruim, é justo, é equilibrado em suas decisões e em seus trabalhos, Orixá determina a lei do retorno e quem conduz é Exu. Ele não é, e nunca foi o diabo.

Mas então quem é EXU ?

Ele é o guardião dos caminhos, soldado dos Pretos-velhos e Caboclos, emissário entre os homens e os Orixás, lutador contra o mau, sempre de frente, sem medo, sem mandar recado.

Exu não faz mau a ninguém, mas joga para cima de quem merece, quem realmente é mau o mau que essa pessoa fez a outra. Ele devolve, as vezes com até mais força, os trabalhos que fizerem contra outros. Por isso, é considerado Exu como o Orixá malvado.

Existem entidades que se dizem Exu e que fazem somente o mau em troca de presentes aos seus médiuns ou por grandes e custosas obrigações, serviços. Não se engane, Exu que é Exu, não faz mau, a não ser com quem merece e além disso, quando ajuda a uma pessoa não pede nada em troca, a não ser que a pessoa tome juízo, se comporte bem na vida, acredite em Deus e tenha fé.

Que Zimbi te proteja. !!!!

domingo, 13 de setembro de 2009

A história da Umbanda

    Em 15 de novembro de 1908, compareceu a uma sessão da Federação Espírita, em Niterói, então dirigida por José de Souza, um jovem de 17 anos de tradicional família fluminense. Chamava-se ZÉLIO FERNANDINO DE MORAES. Restabelecera-se, no dia anterior, de moléstia cuja origem os médicos haviam tentado, em vão, identificar. Sua recuperação inesperada por um espírito causara enorme supressa. Nem os doutores que o assistiam nem os tios, sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível. A família atendeu, então, à sugestão de um amigo, que se ofereceu para acompanhar o jovem Zélio à Federação.
     Zélio foi convidado a participar da Mesa. Zélio sentiu-se deslocado, constrangido, em meio àqueles senhores. E causou logo um pequeno tumulto. Sem saber por que, em dado momento, ele disse: "Falta uma flor nesta casa: vou buscá-la". E, apesar da advertência de que não poderia afastar-se, levantou-se, foi ao jardim e voltou com uma flor que colocou no centro da mesa. Serenado o ambiente e iniciados os trabalhos, manifestaram-se espíritos que se diziam de índios e escravos. O dirigente advertiu-os para que se retirassem. Nesse momento, Zélio sentiu-se dominado por uma força estranha e ouviu sua própria voz indagar por que não eram aceitas as mensagens dos negros e dos índios e se eram eles considerados atrasados apenas pela cor e pela classe social que declinavam. Essa observação suscitou quase um tumulto. Seguiu-se um diálogo acalorado, no qual os dirigentes dos trabalhos procuravam doutrinar o espírito desconhecido que se manifestava e mantinha argumentação segura. Afinal um dos videntes pediu que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolta numa aura de luz.
     Se querem um nome - respondeu Zélio inteiramente mediunizado - que seja este: eu sou o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS, porque para mim não haverá caminhos fechados.
     E, prosseguindo, anunciou a missão que trazia: estabelecer as bases de um culto, no qual os espíritos de índios e escravos viriam cumprir as determinações do Astral. No dia seguinte, declarou ele, estaria na residência do médium, para fundar um templo, que simbolizasse a verdadeira igualdade que deve existir entre encarnados e desencarnados.
     Levarei daqui uma semente e vou plantá-la no bairro de Neves, onde ela se transformará em árvore frondosa.
     No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na residência da família do jovem médium, na Rua Floriano Peixoto, 30 em Neves, bairro de Niterói, a entidade manifestou-se pontualmente no horário previsto - 20 horas.
     Ali se encontravam quase todos os dirigentes da Federação Espírita, amigos da família, surpresos e incrédulos, e grande número de desconhecidos que ninguém poderia dizer como haviam tomado conhecimento do ocorrido. Alguns aleijados aproximaram-se da entidade, receberam passes e, ao final da reunião, estavam curados. Foi essa uma das primeira provas da presença de uma força superior.
     Nessa reunião, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS estabeleceu as normas do culto, cuja prática seria denominada "sessão" e se realizaria à noite, das 20 às 22 horas, para atendimento público, totalmente gratuito, passes e recuperação de obsedados. O uniforme a ser usado pelos médiuns seria todo branco, de tecido simples. Não se permitiria retribuições financeiras pelo atendimento ou pelos trabalhos realizados. Os cânticos não seriam acompanhados de atabaques nem de palmas ritmadas.
     A esse novo culto, que se alicerçava nessa noite, a entidade deu o nome de UMBANDA, e declarou fundado o primeiro templo para sua prática, com a denominação de tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque: "assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria os que a ela recorressem, nas horas de aflição".
     Através de Zélio manifestou-se, nessa mesma noite, um Preto Velho, Pai Antônio, para completar as curas de enfermos iniciadas pelo Caboclo. E foi ele quem ditou este ponto, hoje cantado no Brasil inteiro: "Chegou, chegou, chegou com Deus, Chegou, chegou, o Caboclo das sete Encruzilhadas".
     A partir desta data, a casa da família de Zélio tornou-se a meta de enfermos, crentes, descrentes e curiosos.
     Passados dez anos, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS anunciou a Segunda etapa de sua missão: a fundação de sete templos, que deveriam constituir o núcleo central para a difusão da UMBANDA.
     A Tenda da Piedade trabalha ativamente, produzindo curas, principalmente a recuperação de obsedados, considerados loucos, na época. Já então se contavam às centenas as curas realizadas pela entidade, comentadas em todo o Estado e confirmadas pelos próprios médicos, que recorriam a Tenda, em busca da cura dos seus doentes